* MATADOURO





“Eles ficam apavorados”, relata ex-funcionária de matadouro brasileiro

A página O Holocausto Animal entrou em contato com uma ex-funcionária de um matadouro brasileiro. Ela nos contou em detalhes o sofrimento que os animais bovinos suportam durante o abate.
Vaca sendo abatida em matadouro dinamarquês. Katie Currid/2011.
Vaca sendo abatida em matadouro dinamarquês. Foto: Katie Currid/2011.
A Sra. L., que terá sua real identidade preservada por motivos de privacidade e segurança, trabalhou em um matadouro bovino privado localizado no Estado de Rondônia, na região Norte do Brasil, entre os anos de 2000 e 2001. Sua função era embalar as peças dos animais mortos. No entanto, ela nos contou que diversas vezes entrava nos outros setores, inclusive o de abate, no qual presenciou cenas dignas de um filme de terror.
Devido à rotina angustiante de trabalho, Sra. L. pediu demissão ao perceber que o trabalho não estava lhe fazendo bem. Ela decidiu nunca mais trabalhar em matadouros, e hoje não recomenda a função para ninguém.
Nas linhas abaixo, você vai conhecer em detalhes as entranhas de um matadouro brasileiro de bovinos – legalizado, que funciona até hoje e segue as ditas normas de abate “humanitário”. Por dia, são abatidos cerca de 300 animais.

“Não sei ao certo se eles sabem que vão morrer, ou se é o cheiro de sangue que os deixa apavorados para se livrar daquela sequência.”

Qual era a sua função e por quanto tempo você trabalhou lá?

Trabalhei durante um ano. Minha função era fora do abate, com o manuseio das embalagens utilizadas para armazenar as peças de carnes, que seriam depois transportadas para outros estados e também para o exterior; mas eu entrava por todos os setores.

“A maioria é mutilada ainda consciente […] Muitas vacas são abatidas durante a gestação.”

Como os animais eram mortos nesse local?

Os animais chegavam à noite e eram colocados em um curral, ficando confinados até o dia seguinte, no qual seguiam para o abate. No próximo dia, eles eram induzidos a um tanque de água, tipo um piscinão, e dali seguiam para o corredor da morte – era assim que se chamava aquele lugar – onde se iniciam suas agonias.
Não sei ao certo se eles sabem que vão morrer, ou se é o cheiro de sangue que os deixa apavorados para se livrar daquela sequência. Alguns ficavam calados… Pareciam conformados com aquilo. Ao chegar numa espécie de alçapão, individualmente sofriam um impacto com um equipamento. A pressão de ar que atinge o cérebro fazia-os cair para outro ambiente, onde eram guinchados pelas patas traseiras, seguindo para mutilação e perfurações para sangrarem.
Para alguns animais, são necessários vários impactos até caírem, e a maioria é mutilada ainda consciente.
Afinal, os animais sofrem ou não sofrem no matadouro?
Sofrem sim! Alguns animais demoram muito para morrer, principalmente os bois carreiros*. Por serem muito fortes, é necessário mais de uma vez o uso da pistola pneumática.
Alguma vaca grávida já foi abatida nesse local?
Muitas vacas são abatidas durante a gestação; eles retiram o sangue dos bezerros mortos, mas não sei para qual finalidade**. Seus restos são levados para o setor de graxaria, onde são triturados para fazer ração. Algumas vacas dão à luz no confinamento pré-abate. Essas são devolvidas ao pasto com seus filhos.

“Ela [a vaca] esperneou tanto que caiu para trás com as patas para cima.”

Existem relatos de animais que recuperam a consciência depois de dessensibilizados, já na sangria ou desmembramento. Você já viu isso acontecer?

Sim, muitos animais são mutilados ainda conscientes. Presenciei um abate que nunca me esqueci.
Era um boi carreiro enorme e superdócil. Foram necessários vários tiros de pistola pneumática pra ele cair. Quando já estava no guincho, onde começam as mutilações, ele estava com olhos abertos piscando. Ele berrava muito enquanto o faqueiro o perfurava… Mas mesmo assim ele resistia, sangrava muito. Resolvi sair de perto, porque não aguentei.
Outro caso que não me esqueço foi de uma vaca que, no seu desespero, queria pular e voltar para trás do corredor da morte. Mas não tem como, porque o corredor vai se estreitando até que os animais fiquem em fila. Ela esperneou tanto que caiu para trás com as patas para cima. O operador do guincho amarrou ela pela cabeça, acionou a máquina e a puxou, e então era como se ela se quebrasse ao meio. Ela foi arrastada até chegar perto da pistola pneumática para realização do abate.
Esses dois casos foram muito fortes e dolorosos entre todos que presenciei.

“Não recomendo para ninguém.”

Por que você parou de trabalhar lá?

Parei de trabalhar por perceber que não era um trabalho agradável pra mim.
Você recomendaria esse emprego pra alguma pessoa?
Não recomendo para ninguém, porque normalmente pessoas que trabalham nessa área adquirem doenças diversas como LER (lesão por esforço repetitivo), reumatismos, traumas nas vértebras, entre outros problemas.
Você se sentiu afetada emocionalmente por esse trabalho? Como ficou a sua saúde física e mental?
Na verdade, desde a minha infância assistia abates de bovinos, por morar em uma chácara que tinha um matadouro bem simples, que abatia cerca de cinco animais por dia. Então, por estar acostumada a ver, não me afetou muito. Apesar de que no frigorífico considero ser bem mais cruel, devido à quantidade de animais abatidos por dia… Exige uma certa rapidez, não permitindo que o animal esteja morto por completo para realizar as mutilações.

Nota d’O Holocausto Animal:
*Os bois “carreiros” são aqueles usados nas fazendas geralmente para carregar carroças. Em dado tempo, são enviados para o abate.
**A substância colhida do bezerro é chamada de soro fetal bovino, usado em pesquisas de clonagem, fertilização in vitro, cultura de células-tronco e produção de vacinas. Já abordamos esse assunto em um artigo completo. Saiba mais clicando aqui
FONTE:                                                                       https://oholocaustoanimal.wordpress.com/2016/10/30/eles-ficam-apavorados-relata-ex-funcionaria-de-matadouro-brasileiro/

Gravidez no matadouro: O horror da indústria de laticínios revelado


O que acontece quando uma vaca prenhe é enviada a um matadouro? Eu quase desejaria não saber. De bezerros sentindo as mortes de suas mães, enquanto eles mesmos sofrem e sentem suas próprias mortes horríveis, até bebês vivos sendo arrancados dos úteros de suas mães para que seu sangue possa ser drenado para a ciência, é tudo horrível, e mesmo assim, ninguém fala nada a respeito, mesmo sendo uma parte da indústria de carnes e de laticínios, assim como da indústria de couros finos.
gravidez no matadouro
Por acidente, há alguns meses atrás, eu acabei assistindo a um vídeo de uma vaca grávida já atordoada e dependurada de cabeça pra baixo, e o vídeo mostrava quase o tempo todo o que parecia ser o bebê lutando e chutando desesperadamente a sua mãe por dentro, enquanto sofria uma morte horrível no útero. Mais tarde surgiu a imagem do corpo presumivelmente morto do bezerro, sendo atirado em uma lixeira (embora bezerros vivos também sejam jogados).
Trata-se de um horror em particular, que eu havia falhado em prever. Vacas leiteiras especialmente (uma vez que são mantidas em estado perpétuo de gravidez) podem ser mandadas para o abatedouro enquanto grávidas caso se tornem não rentáveis, ou quando os produtores decidem se livrar de algumas vacas mais cedo do que o usual para fazer dinheiro, quando a demanda está em baixa. Assim, enquanto os empregados as atordoam, as penduram de cabeça pra baixo, cortam suas gargantas, as desmembram e arrancam suas peles, o tempo todo, há um bebê lá dentro, lutando e suportando uma morte horrível. O tempo que os bezerros levam pra morrer irá depender do seu estado de desenvolvimento e da velocidade do processo de abate. Em um matadouro “eficiente”, o bezerro ainda pode estar vivo – morrendo, mas vivo, e sofrendo terrivelmente – enquanto a sua mãe é desmembrada e estripada.
Gravidez no matadouro 1
Em uma pesquisa do Reino Unido nos anos 90 em um matadouro, descobriu-se que “das vacas abatidas, 23,5% estavam grávidas, e 26,9% dessas estavam no terceiro trimestre.” É muito! Um por cento, ou 1 bezerro, já seria muito!
Mas a coisa fica ainda pior. Duas questões. Primeira: Você sabe qual a origem de couros finos? E segunda: você sabe o que é soro fetal bovino [SFB] e qual a sua conexão com as indústrias de laticínios, carne e couro? Para muitos a resposta (especialmente para a questão 2) seria “não”. Sendo assim, aqui vão as respostas.
Quando vacas prenhes são enviadas ao abatedouro, além do trauma de ainda estar vivo dentro da sua mãe durante seus últimos momentos, fetos de bezerros também são cortados dos úteros de suas mães ainda em vida, para que seu sangue possa ser drenado e usado na ciência, sem anestesia.
Com você, a Australian Association for Humane Research:
Depois do abatimento e sangramento da vaca no matadouro, o útero da mãe contendo o feto é removido durante o processo de evisceração, e transferido para a sala de coleta de sangue. Uma agulha é então inserida entre as costelas do feto diretamente no seu coração, e o sangue é drenado para uma bolsa esterilizada. Este processo visa minimizar os riscos de contaminação do soro com micro-organismos do feto ou do ambiente. Apenas fetos com mais de 3 meses são usados, caso contrário o coração será pequeno demais para se fazer a punção.
A fonte supracitada fica hesitante em dizer em definitivo se (ou com que frequência) os bezerros ainda estão vivos durante esse processo. Contudo, o seguinte relato não deixa dúvidas se o feto estará vivo ou não (ênfase minha):
O coração do feto bovino estará funcionando durante o processo de sangramento através da punção cardíaca […] O coração do feto tem que estar batendo a fim de se obter uma coleta adequada do soro fetal bovino produzido através da punção cardíaca. O sangue coagulará imediatamente após a morte.
Poderia se pensar que o feto morre aproximadamente junto com a sua mãe devido à falta de oxigênio. No entanto, sabe-se que neonatos e fetos de animais são muito resistentes à hipóxia/Anóxia […]
O fato de o coração do feto ainda estar funcionando durante a punção cardíaca, indica que ele ainda está vivo, e portanto, pode experimentar dor por causa da agulha inserida em seu coração, bem como por causa do sangramento terminal. Como o feto nunca é anestesiado ou atordoado previamente à realização de uma punção cardíaca para obtenção do SFB, pode se afirmar que o método descrito acima representa um problema ético merecedor de séria consideração.
O autor da mesma tese cita um ex-inspetor do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Gene Erickson, que confirma: “Para todos os efeitos práticos, o coração do feto tem que estar batendo para que se possa colher adequadamente o soro fetal bovino.” Eu não consigo compreender o porquê hesitaríamos um segundo se eles podem sofrer. Se estão vivos, por que isso não causaria sofrimento? Estabeleça um paralelo com os humanos (afinal somos similares para os propósitos dessa comparação). Uma mulher aos 8 meses de gravidez morre. Enquanto ela está morrendo ou logo após a sua morte, você corta o feto pra fora dela. Você coloca o bebê em uma mesa, enfia uma agulha no seu coração, e começa a drenar o seu sangue. Você realmente precisa debater se isso causaria dor e sofrimento?
Gravidez no matadouro 2
Isso tudo é completamente insano, certo? Mas qualquer um que ainda coma animais, consuma leite ou compre couro, está financiando esse pesadelo. Laticínios é cruel. Couro é cruel. E ambas são tão cruéis quanto a indústria de carnes (se não ainda mais).
É fato que nenhum couro é livre de crueldade, sofrimento e morte. Mas as peles desses bezerros não nascidos que suportam essas mortes horrendas são consideradas artigos de luxo e usadas para a fabricação de luvas, por exemplo. E claro, esses não são os únicos bebês esfolados em nome da moda humana. Muitos outros – os da indústria de vitela, por exemplo – são esfolados pelos mesmos motivos, e as peles desses bebês torturados alcançam preços elevados justamente porque peles de bebês são tão macias e sem manchas.
Sempre que achamos que já sabemos tudo sobre a crueldade envolvida, aprendemos algum obscuro e horrendo aspecto da pecuária. Quem quer fazer parte, quem quer financiar o que acontece com esses bezerros? Como podemos justificar a nossa participação, quando podemos simplesmente escolher não fazer parte disso? Eu não consigo imaginar alguém que fique ciente dessa situação, e não se sinta profundamente afetado.
Eu espero que após ler esse texto você repense a sua resistência em desistir não só de carne ou ovos, mas também de laticínios. E além de manter a crueldade fora da sua dieta, a próxima vez que você vir um par de luvas ou sapato ou bolsa, queira se perguntar: “quanto sofrimento”, “quanta tortura”, “quantas vidas”, ao invés de simplesmente “quanto custa”. Quem sabe você possa imaginar esses bebês mortos ao invés de você mesma, nesses acessórios feitos à custa de tanto sofrimento.
Nota do Blog: Aqueles que não se sentirem tocados com o texto, podem ver com os próprios olhos:

FONTE:                                                                                                             https://oholocaustoanimal.wordpress.com/2015/06/08/gravidez-no-matadouro-o-horror-da-industria-de-laticinios-revelado/

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